Hidden Prophecy
Mistérios Antigos
Capítulo V - O Final da Noite
- Não interessa - murmurou Elyon. - Já chega de falar sozinha.
Thomas bufou, indignado.
- Desculpa - corrigiu rapidamente a morena. - Já chega de falar com o Excelentíssimo Felino. Vamos voltar para a cama, ou amanhã adormeço durante as aulas... E tenho de ver se consigo saber o que é este pergaminho.
***
Seria suposto que, às cinco e meia da manhã, a Sala Comum estivesse vazia. O facto é que não estava. E Elyon ainda teve um sobressalto ao entrar pela abertura da Sala e se deparar com varias pequenas sombras a correrem apressadamento de um lado para o outro.
Elfos!, pensou aliviada. Por uns instantes, julgara ter sido apanhada fora da cama por um bufo qualquer. Mas, claro, eram "apenas" os Elfos Domésticos nas suas limpezas nocturnas às Salas Comuns. O máximo que as prestáveis (e adoráveis, na opinião dela. Angelus considerava que eram idiotas por não tomarem consciencia da escravização de que eram alvo) criaturas fariam era olhá-la com os seus enormes olhos reflectores e perguntarem-lhe se precisava ou desejava alguma coisa, o que de facto fizeram.
Recusando e agradecendo os constantes "Precisar de alguma coisa, menina?", Elyon galgou dois a dois, como era sua mania, os degraus que a levariam até ao dormitório. Abriu com jeitinho e entrou sem fazer barulho, seguida por Thomas que imediatamente se dirigiu ao seu cesto de verga. Quatro respirações ritmadas e pesadas indicavam-lhe que as colegas de quarto estavam em sono profundo. Um leve ressonar saía da cama ao fundo do quarto.
Eu sabia que a Padma Patil ressonava! A Iruvienne vai ter de me dar os dois galeões da aposta.
Thomas miou, como que a dizer-lhe que já iam sendo horas de se deitar ao invés de ficar para ali a observar o dormitório. Claro que o que para ele era observar, para ela era habituar os olhos ao escuro. Não estava absolutamente nada interessada em ganhar uma nódoa negra durante a tentativa de chegar à cama de dossel!
***
Daniel sentia que o coração lhe ia saltar do peito. Porque raio não poderia controlar os batimentos cardiacos? Tinha a certeza que o podiam ouvir até às Estufas! Apertou mais o Livro dos Registos contra si e encostou-se mais ao canto quando a silhueta de Filch entrou na Biblioteca e passou por ele sem o ver. Isso não era normal no encarregado, mas que importava? Fazendo o minimo de barulho que conseguia, abandonou a Biblioteca e atravessou vários pares de corredores, parando para respirar alívio atrás de uma armadura, perto da sua Sala Comum. Só então é que se apercebeu de que trouxera o Livro dos Registos consigo. Já tinha o nome e a casa da irmã. Não precisava dele. Mas não se atrevia a voltar à Biblioteca.
Entrego-o amanhã no meio dos livros que requisitei a semana passada, pensou, percorrendo o pouco que lhe restava para a Sala Comum.
Escrito por Inês M. :: 7:42 AM
Parte IV ? Pela calada
Elyon sentiu-se a cair no vazio. Não podia dizer que era uma sensação desagradável, mas também não se assemelhava ao agradável. Subitamente, parou. Encontrava-se suspensa no ar, no meio de uma gruta ? quantas esculturas de estalactites, estalagmites, colunas e cortinas! Angel deslumbrar-se-ia, até conseguia ver uma parte do tecto com a frágil ?chuva de esparguete?! ? e suspensa sobre um lago subterrâneo. Estranhamente, encarava aquilo com naturalidade ? ou não estaria consciente o suficiente para encarar fosse o que fosse?
Do ponto onde estava, via duas figuras, ambas vagamente familiares. Uma delas, a mais alta e mais esbelta com um longo cabelo loiro, entoava algo, numa linguagem maldita que há muito deveria ter sido esquecida. A outra, mais pequena e que lhe causava uma estranha sensação, parecia inconsciente, deitada numa mesa de pedra em frente à figura loira. A humidade da gruta fazia-se sentir com o ?pingue pingue? das gotas de água. Na parede perto daquela espécie de ritual estranhos símbolos completava a atmosfera desagradável.
- Estou a sonhar...
***
- Au! Mas qu...?
Thomas observava-a de uma maneira que a rapariga considerou extremamente inquietante, enrolando e desenrolando repetidamente a longa cauda negra.
- Podes parar de olhar para mim assim? Estou a tentar dormir, não sei porque que me mordes-te, eu... Oh bolas! É o mesmo corredor, não é?
O gato não lhe respondeu, limitando-se a lamber a pata escura.
- Tenho de ter uma palavrinha com Madam Pomfrey acerca deste sonambulismo. Eu não acredito que ando por aí de camisa de noite! Tive um sonho mesmo estranho, sabes? Era-me vagamente familiar, é realmente uma pena que nos esqueçamos da maioria dos nossos sonhos, o nosso inconsciente é tão fértil... que é isto? ? interrompeu-se, tirando do bolsinho da camisa um pedaço de pergaminho muito pequeno e amachucado.
?Isto ? percebeu Elyon ? é nem mais nem menos que um feitiço... um feitiço romano!?
Não tinha absoluta certeza de ser romano, mas os caracteres eram parecidos com os que dera em Runas Antigas... O que não sabia, era como aquilo tinha ido ali parar!
***
Um piar de coruja ouviu-se ao longe, fazendo o loiro dar um pulo de sobressalto. Não podia, de forma alguma, ser apanhado ali durante a noite. Mas era necessário que o fizesse, pois queria evitar ao máximo que mais alguém se metesse nos seus assuntos. Já bastavam a Bella e a Elyon que, neste momento, deveriam estar extremamente chateadas consigo. Abanou um pouco a cabeça para expulsar aquelas pequenas distracções. Tinha um trabalho a fazer e não podia perder tempo com pensamentos.
Já havia percorrido todos os livros de registo de Hogwarts e este era já o último. Já estava na penúltima página e ainda não tinha encontrado o que queria. Percorreu-a de uma ponta à outra e nada. Agora só restava a última folha. A qualquer momento saberia onde estaria a sua irmã, bastava só virar a página e...
- Quem está aí? - perguntou uma voz arrastada.
Daniel largou de imediato o livro e apressou-se a esconder-se de Filch. Se ele o apanhasse estaria em muitos maus lençóis.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter
Escrito por Inês M. :: 12:37 PM
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Parte III ? As duas Montgory
"Não que isso te interesse muito, já que a tua confiança em mim é totalmente nula..." Parecia incrível... Depois do tudo o que haviam passado, de tudo o que tinham vivido juntos, Elyon ousara duvidar de Daniel. Desde o início que vira o rumo que a discussão iria tomar se não contasse a verdade à morena, mas nunca pensou que isso fosse interferir na confiança da rapariga em relação a si. Começava a ficar farto... Farto de procurar pela sua irmã, farto das pequenas discussões de Ely, farto da Iruvienne, farto de... Iruvienne? Mas claro! A Iruvienne era exactamente o que o rapaz precisava se a conseguisse convencer, o que não seria muito dificíl, só precisava de encontrá-la. Ou será que finalmente iria dizer-lhe a verdade?
***
Eu não acredito que as coisas chegaram a este ponto! Depois de tudo... como é que ele pode não confiar em mim?
Elyon caminhava em passos rápidos e cortantes em direcção à Sala Comum. Precisava tanto de falar com alguém... mas, simultaneamente, não queria verdadeiramente falar... Dois vultos aproximavam-se na direcção contrária. Por uns momentos, Ely pensou que eram Bella e Iruvienne, mas nenhum deles tinha a elegância das amigas...
Parecem dois cavalos a andar...
De facto pareciam, o que não melhorou em nada o estado de espírito da Ravenclaw. Apenas duas pessoas em Hogwarts andavam à cavalo e mantinham, mesmo assim, um irritante ar de superioridade: as intriguistas irmãs Montgory.
Estou feita.
- Somniare! Por aqui? Os teus amiguinhos? Vocês são sempre tão unidos... ? começou Rose Montgory, a mais velha das duas, mal se cruzaram no corredor.
Elyon não respondeu, fingindo surdez. Só lhe faltava aquela... se ao menos elas não se tivessem posicionado de forma a rodeá-la...
- Rose, ela está transtornada ? retorquiu Amy Montgory. ? Com certeza precisa de desabafar.
- Absolutamente que sim ? respondeu Elyon, tentando controlar e cedendo da sua surdez forçada. Nunca fora muito boa a escutar calada... mas qual seria o gozo delas!? ? Por isso, importam-se de dar espaço?
- Estás à vontade ? provocou Amy, com um sorrisinho escarninho, sem se mover do lugar.
- Eu decididamente não estou com cabeça para discussões...
- Nós já percebemos isso, Somniare ? interrompeu Rose, com uma expressão extremamente sádica, na opinião de Elyon.
- Óptimo, então se o que têm dentro dessa coisa redonda onde fazem os penteados é mais do que uma bola de pingue-pongue, vão sair de fininho.
- Não me parece ? retorquiu Amy. ? O que é pingue-pongue?
- Um jogo Muggle ? esclareceu a Raveclaw. ? Ridículos.
Quando Elyon chegou à Sala Comum, esta encontrava-se quase vazia, como seria de esperar num dia de amenidade... provavelmente dos últimos naquele Setembro... E fazendo o que sempre fazia quando se irritava, tentou distrair-se com coisas tão mundanas como fazer os trabalhos de casa das disciplinas que tivera até então... não era a melhor maneira de passar o furo, mas sempre eram menos coisas que teria de fazer logo à noite... e ainda tinha de escrever uma carta de agradecimento ao primo. Aquela modificação que ele fizera ao feitiço Ridiculus fora realmente útil e, pelo menos enquanto nenhum das irmãs fizesse queixa a um professor, levando-a a uma punição, poderia deliciar-se com as caras dos estudantes que passassem por elas, duas figuras ridículas a meio de um corredor...
***
Já era bastante tarde, e Daniel aproveitara o tempo entre a sua última aula e o jantar para tratar dos seus assuntos com Iruvienne. Demorara um pouco a encontrá-la, e o que acontecera depois foi um dos momentos mais surpreendentes na vida do rapaz. Agora só precisava de descansar, pois já estava tudo tratado e, em breve, voltaria tudo ao normal. Ou quase.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter
Escrito por Inês M. :: 12:31 PM
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Parte II ? Desconfianças
- Daniel James Potter, precisamos de falar - afirmou Elyon no mesmo tom de voz
que a mãe costumava usar quando sentia que ela ou o irmão não lhe estavam a contar a verdade. A silhueta da professora Miriam perdera-se da vista de ambos assim que Daniel fechara a porta da sala de aula.
- Falar? Sobre o quê?
- SOBRE O QUÊ? Sobre a tua convivência com os Malfoys, sobre os teus sumiços, sobre as tuas atitudes! Francamente Daniel! Não te faças de burro que isso é coisa que não és!
- Com os Malfoys?... Eu... Já não o vejo desde o ano passado... ? respondeu hesitante.
- Daniel Potter... ? murmurou a rapariga num tom de voz cada vez mais perigoso.
- Sinceramente, não sei do que estás a falar... Podes especificar?...
- Estou a falar na estação King Cross e na Diagon-al em que andavas a passear-te com a mãe do Malfoy e das sumidas que fazes frequentemente sem que ninguém sabe onde te meteste!
- Com o Malfoy? Eu já não o vejo desde o ano passado ? mentiu Daniel, descaradamente.
- E eu sou um hipogrifo disfarçado! Não tenho paciência para este tipo de briguinhas, sabes?
- Mas eu não estou a brigar contigo. Vamos esquecer este assunto e dar um passeio perto do lago. A nossa próxima aula é daqui a uma hora ? sugeriu o rapaz, tentado mudar de assunto.
- Não me enroles! - Rosnou a morena, sentindo-se a perder as estribeiras.
- Por favor Ely, tem calma. Não é preciso chateares-te por coisas sem importância.
- SEM IMPORTÂNCIA!? Nós estamos a ter uma crise conjugal, não sei se reparaste!
- Eu acho que estás a fazer uma tempestade num copo de água... E se eu tiver mesmo estado com os Malfoys? Que importância é que isso tem? Por favor Elyon, eu peço-te, não insistas no assunto.
- Tem a importância de que não confias em mim, e eu acredito que a base de qualquer relação é a confiança! Se precisares de algum tempo para pensar estás à vontade, Daniel... Já agora, o meu avô prometeu-me em casamento ao Zabini, talvez te interesse saber.
O que Elyon acabara de dizer atingiu Daniel como se de uma pedra se tratasse. Casamento? Zabini? Mas que história era esta? O rapaz parou o seu cérebro, que agora trabalhava a mil à hora, ainda a digerir a notícia. Se não se acalmasse, não conseguiria dizer o que quer que fosse à morena.
- Desculpa? Acho que ouvi mal... O teu avô o quê?
- O meu avô, com as suas manias de sangue puro, prometeu-me em casamento ao Blaise Zabini. Eu... li por "acidente" uma carta sobre o assunto quando passei as férias em casa dele... do meu avô, não do Zabini. Nas famílias antigas ainda fazem muito esses "negócios". Não que isso te interesse muito, já que a tua confiança em mim é totalmente nula...
- Olha Ely... Até podes desconfiar de mim, sim é verdade eu estive com os Malfoys e não te quero contar, mas se há uma coisa se há algo de que não deves duvidar... É o amor que sinto por ti ? conclui Daniel, abandonando de seguida a rapariga no meio do corredor.
- Algum problema pimentinha? ? a voz da professora Miriam soou atrás dela, fazendo Elyon lembrar-se de que ainda se encontrava em frente à porta da sala de aula.
- Não sei, professora. Sinceramente não sei.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter
Escrito por Inês M. :: 1:24 PM
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Parte I - Runas Antigas
O roçar de algumas penas nos velhos pergaminhos era o único som que se ouvia na sala, tal era a concentração dos alunos de Runas Antigas. Naquele dia, a professora Miriam, uma bruxa jovem de cabelos e olhos castanhos e uma daquelas caras fáceis de esquecer mas reveladoras de uma personalidade afável e simpática, estipulara que a aula seria dedicada à tradução de um texto do manual. Curiosamente, o texto em questão tinha sido encontrado por um grupo de Muggles em escavações ? arqueólogos, chamavam-nos assim ?, como referia a pequena nota no fundo da página. Elyon perguntava-se se a escolha da professora não seria para mostrar aos alunos que os não-mágicos tinham os seus próprios meios de fazerem as coisas, lentos mas eficazes.
Com um suspiro de contentamento pousou a pena e iniciou a correcção da tradução. Pelo que pudera apreender do rápido olhar que passara pela turma, apenas Hermione Granger, que ia já na sua terceira correcção, e Daniel Potter, sentado a olhar para a folha com um ar pensativo e a mente distante, tinham já terminado. Corrigiu um ou dois erros em que tinha feito confusão de símbolos e pousou também a pena, ficando numa disposição parecida com a do namorado.
A poção de Madam Pomfrey estava a resultar tão bem como da última vez que precisara dela, mas não se lembrara de o ano passado ter acordado no meio do corredor! Ter-se-ia a enfermeira enganado na preparação desta poção específica, sendo o sonambulismo um efeito secundário?
- Guardem as penas e entreguem-me as traduções, por favor _ a voz jovial da professora Miriam arrancou-a dos seus pensamentos. _ Por hoje estão livres de mim, pimentinhas, mas não se esqueçam de ler as páginas 20 e 23 e fazer os exercícios da página 24. Não vou verificar se o fazem ou não, já não têm idade para isso, mas espero que correspondam ao grau de maturidade que vos estou a dar. Miss Somniare? Mr Potter, poderiam esperar um pouco, por favor?
Será que a professora o ia reter muito mais tempo? O trabalho que propusera havia sido bastante simples, e já há um bom bocado que Daniel divaga, pensando na Elyon, na irmã, no pai, e em tantos outros problemas pendentes na sua vida.
- Não vos vou tomar muito tempo, pimentinhas, sei a importância sagrada dos intervalos _ disse a professora Miriam com o seu costumeiro e afável sorriso. _ Apenas vos queria fazer uma proposta, penso que já falei contigo Elyon? Sim, recordo-me que já. O que queria saber é se ambos estão realmente interessados num clube sobre os feiticeiros de outros tempos, se seriam capazes de recrutar membros e, claro, é necessário baptizar o dito cujo.
- Mas o clube vai fazer propriamente o quê, professora? A senhora não explicou bem da última vez... _ perguntou Elyon com as orelhas ?arrebitas?.
- Pensei que podíamos começar por fazer uma espécie de jornal, com as magias antigas como tema principal, claro, mas aceitando-se outros tipos de artigos. Faríamos também debates, claro, isso é sempre muito divertido, instrutivo e melhora em muito a vossa capacidade de argumentação... e quaisquer ideias que os alunos tenham, desde que aceites pelo resto do grupo.
- Mas professora, porquê é que não comunicou isso ao resto dos alunos? - Questionou o rapaz baralhado. - Porque é que temos de ser nós a fazê-lo?
Daniel sempre admirara a professora Miriam, pois o seu espírito jovem, boa disposição, e a sua maneira de encarar a vida sem preocupações era algo que gostaria de ser também capaz de fazer.
- Porque vocês os dois são os que revelam mais interesse mais pela disciplina. E porque os jovens sentem-se sempre mais incentivados a integrar num grupo quando são os colegas e amigos da mesma idade a terem a ideia, não é assim, pimentinhas?
- Sempre pensei que a Granger fosse a mais interessada... ? comentou Elyon.
- E é, pimentinha, mas Miss Granger interessa-se por quase tudo, não é? Queria alguém que se interessasse por gostar realmente deste assunto específico.
- Eu não sei se tenho tempo professora. Tenho andado ocupado com um... Trabalho de Herbologia. A Elyon terá todo o prazer de fazer isso por mim - acrescentou rapidamente, lançando um sorriso à sua namorada.
- Claro, professora. Acho a ideia fascinante ? respondeu Elyon, sorrindo à professora ao mesmo tempo que estreitava os olhos. Daniel ia ter muito que explicar.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter
Escrito por Inês M. :: 1:32 PM
Desavenças - Capítulo III
Bella encontrava-se no Celeiro das Corujas procurando pela coruja da sua família. A carta do seu avô não podia ser deixada sem resposta. Especialmente após a sua discussão com Iruvienne. Ia dizer-lhe para não se preocupar e que ela sabia tomar bem conta de si mesma e escolher as suas amizades.
Iruvienne subia as escadas lentamente, tentando não pensar em Bella e na discussão que haviam tido, quando viu alguns metros à frente Daniel Potter, a caminho do Celeiro das Corujas. Não querendo discutir mais uma vez, deixou-se ficar para trás, esperando, sob a sua forma animaga à porta do Celeiro que ele saísse para que ela pudesse enviar uma carta para casa.
Um movimento atrás de si arrancou-o dos seus pensamentos, fazendo Daniel parar por uns instantes. O que pretendia fazer, não deveria ser escutado por ninguém, excepto Bella, ainda que não estivesse certo se seria o correcto. Elyon contara-lhe na noite anterior o que tinha acontecido na aula de Encantamentos, e este era o momento crucial.
O Ravenclaw tinha agora a chance de afastar Iruvienne de Bella, ainda que estivesse um pouco relutante em faze-lo, avançou, entrando calmamente no celeiro.
- Daniel? - perguntou a Gryffindor quando a porta do celeiro se abriu inesperadamente - Também vieste enviar uma coruja?
-Eu... Não, não vim. Vim falar contigo. - respondeu o rapaz hesitante. - Eu já sei o que aconteceu entre ti e a Hiems.
Do outro lado da porta Iruvienne levantou as orelhas de gato. O Potter a querer falar com a Bella e a menciona-la? Algo não estava correcto.
- Hum... Então também sabes a razão, suponho?
- Sim, sei... Como é que tu estás?
- Estou bem... Quer dizer... Tão bem quanto é possível a uma pessoa que acabou de discutir com uma das suas melhores amigas por causa de uma razão completamente idiota.- respondeu Bella sorrindo um pouco
Eu sempre disse que ela não era o que mostrava.. E isto é apenas o princípio... Achas que quando ela se aliar ao Quem-Nós-Sabemos vai continuar a manter laços de amizade convosco? Se queres a minha opinião, penso que ela apenas se relaciona contigo por necessidade. Quando sair daqui, vai querer usar-te para obter informações de Hogwarts. Ela não é de confiança, Bella - disse Daniel mais confiante a cada palavra.
Iruvienne transformou-se naquele momento, estava prestes a entrar no Celeiro para dizer umas verdades ao loiro, quando ouviu a voz de Bella.
- Desculpa?! - exclamou a loira incrédula - Tu não conheces a Iruvienne! Tu não tens o direito de falar sobre ela assim! Não és tu que convives com ela todos os dias, só não gostas dela porque acreditaste no que o Malfoy te disse, o ano passado! Se soubesses como é que ela é tinhas-me vindo ajudar, em vez de inventar histórias absurdas sobre ela!
-Eu não estou a inventar histórias, Bella! Estou a ver a realidade, coisa que tu e a Elyon se recusam a fazer! E eu não precisei do Malfoy para formar uma opinião acerca dela, eu tirei as minhas próprias conclusões!
- Quantas vezes é que falaste com ela sem ser para a atacar? Tu-não-a-conheces!
Eu dispenso conhecer pessoas como ela, já conheço gente suficiente!
Iruvienne sorriu, ela havia julgado mal Bella, Elyon tinha razão... Na altura para a defender, ela havia-o feito, ela não podia estar mais contente. Colocou a mão no puxador da porta e retirou a varinha, sabendo que o mais provável seria ela e o Potter discutirem e aquilo não ficar só por palavras.
- Eu não tenho culpa, Potter, de que a tua namorada tenha amigas... - disse para as costas do Ravenclaw loiro.
Eu não te considero uma amiga da Elyon. Tal como já disse à Bella, tu só te moves por interesse. - cuspiu-lhe o rapaz.
- Não sabes julgar uma pessoa, pois não? Talvez nunca te tenham ensinado a olhar para além das aparências, mas acredita que a Elyon e eu somos amigas e não tem nada a ver com o que defendemos, pelo contrário, não foi uma das primeiras coisas sobre as quais falámos... A Bella conheceu-me tal como te conheceu a ti, e, adivinha, também gostou de mim, por eu ser quem sou, não pelo lado de que estou... - respondeu Iruvienne no mesmo tom, embora olhasse para Bella.
- Já chega! - disse Bella falando pela primeira vez depois de Iruvienne ter entrado - Não estou para ouvir dois grandes amigos meus a discutirem!
Bella olhava agora friamente para os dois.
- Acho que ambos me devem um pedido de desculpas.
- Eu não tenho de pedir desculpas! Tudo o que disse é verdade, ainda que tu não o queiras ver. - respondeu-lhe Daniel, lançando um olhar de puro ódio a Iruvienne.
- Eu não tenho de pedir desculpa, primeiro porque eu tenho razão, não disseste nada na aula sem ser "coisas do meu avô" e, segundo, porque aqui o Potter não tem nada a ver com aquilo que eu falo contigo ou não! - respondeu a ruiva retribuindo o olhar a Daniel.
- Tudo bem. Quando ultrapassarem a vossa crise dos 5 anos de idade, avisem-me.- e, com isto, a Gryffindor saiu do Celeiro deixando Daniel e Iruvienne olhando especados para a porta.
- Agora já estás contente, não é Hiems? Por tua causa, a Bella ficou chateada comigo!
- O problema é teu que vieste meter a varinha onde não eras chamado! - respondeu Iruvienne procurando com o olhar por Athilya.
- É melhor teres cuidado com o que dizes! Eu não vou aturar as tuas birras para sempre! - conclui Daniel, abandonando de seguida o celeiro.
Iruvienne nem olhou para ver a porta fechar-se, encontrou Athilya, entregou-lhe a carta e deixou-se ficar a observar a calmia do lago negro e o vazio dos campos, pensando em tudo aquilo com o qual convivia todos os dias e não aceitava. Pensava na sua amizade com Bella e Elyon, e como o Potter até tinha razão e a amizade poderia ser estragada se o Senhor das Trevas descobrisse o que se passava ali. Não sabia o que fazer, estava confusa, e não sabia bem a quem recorrer. Deixou-se ficar por ali mais algum tempo, ouvindo as corujas piar e partirem para caçar, deixando o pensamento divagar entre tudo aquilo que se passava na sua vida e no que era preciso mudar ou explicar.
Escrito por: Bellatrix Neveu, Daniel Potter e Iruvienne Hiems
Escrito por MuzzyDreamer :: 6:36 AM
Desavenças - Capítulo II
Aquilo não podia estar a acontecer! Pensava Iruvienne enquanto caminhava sem destino pelos corredores de Hogwarts. Chegavam até ela as vozes dos professores e de alguns alunos que se encontravam no exterior por não terem aulas naquela altura, mas estes sons foram substituídos pelo fechar repentino de uma porta atrás dela e alguns passos na sua direcção. Ela tinha de sair daquele corredor, não podia ser alcançada por Bella, quem ela julgava que havia saído da sala. Virou à direita para uma casa de banho que ali se encontrava e ficou lá dentro a mirar o espelho.
Bella ainda estava uma pilha de nervos quando ouviu a porta de uma casa de banho fechar-se. Sabia que era Iruvienne e não estava com a mínima disposição de voltar a discutir com a amiga. Sempre soubera que haviam tido educações diferentes e que muitas vezes as suas opiniões divergiam, mas discutir em plena aula de Feitiços?
- Bella?! - chamou Elyon arrancando a loira dos seus pensamentos
- Oh... Olá Ely!
- Não devias estar a ter aula? - perguntou a rapariga com um ar desconfiado
- Sim... devia... Mas saí. Eu e a Iruvienne discutimos. Nada de especial.
- Onde é que ela está? - perguntou Elyon olhando desconfiada para Bella.
Como se estivesse à espera daquele momento uma cabeleira ruiva saiu rapidamente da casa-de-banho ao lado das raparigas. Iruvienne olhou rapidamente para Bella e depois para Elyon, abriu a boca para falar mas não foi capaz, pelo que saiu a correr em direcção ao dormitório, com as vestes a ondular atrás de si.
- Não me parece que não tenha sido nada de especial, - comentou a morena desviando o olhar para Bella. - Eu vou procura-la, desculpa-me.
E também esta saiu em direcção à torre dos Ravenclaw, deixando a Gryffindor parada e chateada no meio do longo corredor.
- Iruvienne! - gritou Elyon subindo as escadas duas a duas atrás da amiga.
- Não me chateies! - respondeu baixinho Iruvienne correndo pelas escadas.
- Desculpa?! Se estás mal-humorada não descontes em mim que não tive nada a ver com isso! - disse a morena
- Tu é que viste atrás de mim... - murmurou Iruvienne abrandando o passo.
- Então preferes estar sozinha?
- Não... - admitiu encostando-se à parede fria.
- Bem me parecia. - sorriu Elyon - O que é que se passou?
- Eu... Oh, tu imaginas! A Bellatrix recebeu uma carta do avô a proibi-la de se dar com qualquer pessoa que tivesse ligações com o Lorde das Trevas o que, como sabes, é o mesmo que dizer: 'afasta-te da Iruvienne Hiems'... - explicou Iruvienne fitando o chão. - Eu não aguentei e... a conversa partiu daí... Ela acabou a falar mal da minha família e eu da dela, confesso...
- Se queres que seja sincera, estás a dramatizar demasiado. Todos andam cautelosos nos dias que correm, é claro que o avô dela não quer que ela corra perigo. E para além do mais, não como se tu fosses perigosa e ela fosse deixar de falar contigo por causa de uma estúpida carta.
- Nunca se sabe. Mas ela disse que aquilo era normal, e eu conheço as pessoas como o avô dela, eles fazem de tudo para 'me' afastar dos filhos/netos... E a Bellatrix acha que é normal! Ela não diz nada, não me defende...
- Pelo que me contaste, a carta não tinha nenhuma acusação contra ti, pois não? Ela não precisa de te defender se não foste 'atacada'. Tenta ser razoável. - disse a morena.
- Não dá! Não é preciso que te mostrem que se ficares um dia inteiro dentro do lago negro durante o Inverno que morres, para tu saberes não é? - resmungou Iruvienne recomeçando a andar.
- Err... o lago tem de ser mesmo negro?
- Ely! - gritou Iruvienne tentando esconder um sorriso. - Tu não tens remédio, pois não?
- Oh, vá lá. Estás a fazer uma tempestade num copo de água, tenho a certeza que o que o avô da Bella lhe disse entrou por ouvido e saiu por outro.
Iruvienne não lhe respondeu, era demasiado orgulhosa para, sequer, pensar na hipótese de Elyon estar certa, em vez disso mudou o rumo da conversa.
- Onde estavas há pouco?
- Humm? Na aula de Runas Antigas... sabes, a professora Miriam é muito simpática. Disse-me que estava a pensar abrir um clube sobre as civilizações antigas de feiticeiros. É uma ideia interessante, não é? Quer dizer, o assunto é muito bom e eu realmente gosto... ah, e depois andei à procura do Dan que anda com umas manias muito desagradáveis de se evaporar no ar.
- É interessante, é... Ele anda a evaporar-se?
-Constantemente - confirmou a morena, franzindo ligeiramente o sobrolho. - E depois do comentário que fiz sobre os olhos do Harry Potter... francamente, que ele não me parecia ser nada ciumento.
- Eu acreditei que fosse... Queres ajuda? - perguntou a ruiva sorrindo levemente. Ela não faria aquilo pelo Daniel Potter, apenas queria estar com a amiga sem terem propriamente nenhum assunto de que falar, apenas estarem juntas.
- Não... vou confiar nele. E o Mike? Já agora, é impressão minha ou estás atrasada para Poções?
- Eu, eu... Sim, estou, tens razão! O Mike já lá deve estar, encontramo-nos depois? - perguntou rapidamente e, sem esperar pela resposta, começou a descer as escadas em direcção aos calabouços
Escrito por: Iruvienne Hiems, Bellatrix Neveu e Elyon Somniare
Escrito por MuzzyDreamer :: 7:13 AM