Desavenças - Capítulo I
Havia acabado de tocar para a primeira aula da manhã e os mais novos furavam por entre os mais altos, numa tentativa de chegar às aulas a horas e não serem ameaçados de serem transfigurados em relógios. Uma coruja castanha sobrevoava a cabeça dos atrasados do costume que ainda estavam a sair do salão comum, entre risos e conversas. A coruja acabou por aterrar no ombro de Bella, de onde estendeu a pata para que esta retirasse a carta que lá vinha.
- Uma carta de casa? - questionou Iruvienne olhando para os grandes olhos âmbar da coruja.
- Aparentemente... Mais propriamente do meu avô Pierre. - respondeu a loira fitando a carta com surpresa.
Bella lia a carta enquanto Iruvienne a guiava por entre os alunos até à aula de encantamentos. Iruvienne havia pedido ao professor Flitwick para assistir a algumas aulas para que não se esquecesse de nada e para ir treinando outros feitiços; uma dessas aulas coincidia com a aula de Bella, na qual as duas se sentavam no fundo e conversavam, não prestando atenção.
- Bom dia, Miss Hiems e Neveu... - cumprimentou o pequeno professor de cima da secretária.
- Bom dia... - responderam-lhe em uníssono.
Ocuparam os lugares habituais, no fundo da sala, longe dos olhares e dos ouvidos do professor, e Bella continuava a mirar a carta.
- Algum problema? - perguntou a Ravenclaw.
- Não... As habituais paranóias do meu avô.
- Ah... - respondeu a ruiva fingindo não estar interessada.
Flitwick ergueu a varinha e começou com uma série de demonstrações que Iruvienne achou entediantes, embora Bella estivesse completamente vidrada no que o professor demonstrava.
- Posso ler? - perguntou Iruvienne em tom neutro.
- Claro... - Bella nem vira o que Iruvienne queria ler, apenas lhe dissera que sim e voltara a observar um feitiço complicado que o professor fazia.
Querida Bella:
Escrevo para te pedir mais uma vez que te lembres dos tempos difíceis que correm. Rogo-te que tenhas cuidado com as companhias e que não te coloques em perigo. Cumpre todas as regras de segurança e NÃO te relaciones com QUALQUER pessoa que tenha relações com Devoradores da Morte.
O futuro não é um lindo dia de sol como outrora, mas uma negra tempestade;
Toma bem conta de ti e olha pelo teu irmão,
Pierre Neveu
- Bella! - exclamou Iruvienne num sussurro alto.
- Schhh... Este feitiço é importante! - disse a rapariga
- Eu não quero saber! Ouve-me! - pediu, insistente, Iruvienne puxando a loira pelo braço.
- O quê é? - perguntou Bella já irritada
- O que é que o teu avô quer dizer com esta carta?!
- Obviamente quer que eu tenha cuidado com o Quem Nós Sabemos e os seus seguidores... - disse a Gryffindor com o ar de quem explica a uma criança que '2+2=4' - Mas porque é que leste a carta?
- Porque eu te pedi e porque tu me deixaste! - quase gritou a ruiva. - Ele não queria dizer só isso! Eu lembro-me como ele olhou para os meus braços naquele dia em tua casa!
- E então? O meu avô teve más experiências por conta Daquele cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado e tem medo que a sua família sofra! É normalíssimo! E qual é o mal de ele ter olhado para os teu braços? Que eu saiba não tens culpa de vires da família que vens, pois não? - atirou Bella
- Que tem a minha família a ver com isto? Não chamei a tua ao caso, chamei? - perguntou Iruvienne fazendo algumas cabeças virarem-se para trás rapidamente. - Até parece que venho de más famílias... E, para além disso, sabes bem que tenho as mesmas definições que a minha família no que toca ao correcto e ao errado!
- Claro que chamaste a minha ao acaso! É do meu avô que estás a falar, lembras-te? E a julgar pelo TEU avô não me parece que as vossas definições de certo e errado sejam as melhores! - respondeu a rapariga deixando de se preocupar com o que os seus colegas pensavam.
- Nunca conheceste o meu avô, como podes dizer uma coisa dessas? - gritou-lhe Iruvienne esquecendo-se de onde estava. - Se achas que o Potty-Potter é um máximo corre atrás dele, aceita aquilo que os outros acham que é correcto! Só não me culpes por seguir o que acho que é melhor para todos, mesmo que alguns não o compreendam!
Sem esperar por resposta a ruiva pegou nas suas coisas, atirando a mala de encontro à cabeça de um rapaz Hufflepuff que se encontrava na mesa a baixo, e saiu da sala ouvindo Bella responder-lhe algo incompreensível.
Bella não podia acreditar que Iruvienne estivesse a agir como uma criança mimada de 6 anos. Quem é que ela pensava que era? Seguiu-lhe o exemplo e saiu da sala sem uma palavra, fingindo não ouvir o professor que a chamava.
Escrito por Bellatrix Neveu e Iruvienne Hiems
Escrito por MuzzyDreamer :: 2:27 PM