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Wednesday, January 25, 2006

Mistérios Antigos
Parte I - Runas Antigas
O roçar de algumas penas nos velhos pergaminhos era o único som que se ouvia na sala, tal era a concentração dos alunos de Runas Antigas. Naquele dia, a professora Miriam, uma bruxa jovem de cabelos e olhos castanhos e uma daquelas caras fáceis de esquecer mas reveladoras de uma personalidade afável e simpática, estipulara que a aula seria dedicada à tradução de um texto do manual. Curiosamente, o texto em questão tinha sido encontrado por um grupo de Muggles em escavações ? arqueólogos, chamavam-nos assim ?, como referia a pequena nota no fundo da página. Elyon perguntava-se se a escolha da professora não seria para mostrar aos alunos que os não-mágicos tinham os seus próprios meios de fazerem as coisas, lentos mas eficazes.
Com um suspiro de contentamento pousou a pena e iniciou a correcção da tradução. Pelo que pudera apreender do rápido olhar que passara pela turma, apenas Hermione Granger, que ia já na sua terceira correcção, e Daniel Potter, sentado a olhar para a folha com um ar pensativo e a mente distante, tinham já terminado. Corrigiu um ou dois erros em que tinha feito confusão de símbolos e pousou também a pena, ficando numa disposição parecida com a do namorado.
A poção de Madam Pomfrey estava a resultar tão bem como da última vez que precisara dela, mas não se lembrara de o ano passado ter acordado no meio do corredor! Ter-se-ia a enfermeira enganado na preparação desta poção específica, sendo o sonambulismo um efeito secundário?
- Guardem as penas e entreguem-me as traduções, por favor _ a voz jovial da professora Miriam arrancou-a dos seus pensamentos. _ Por hoje estão livres de mim, pimentinhas, mas não se esqueçam de ler as páginas 20 e 23 e fazer os exercícios da página 24. Não vou verificar se o fazem ou não, já não têm idade para isso, mas espero que correspondam ao grau de maturidade que vos estou a dar. Miss Somniare? Mr Potter, poderiam esperar um pouco, por favor?
Será que a professora o ia reter muito mais tempo? O trabalho que propusera havia sido bastante simples, e já há um bom bocado que Daniel divaga, pensando na Elyon, na irmã, no pai, e em tantos outros problemas pendentes na sua vida.
- Não vos vou tomar muito tempo, pimentinhas, sei a importância sagrada dos intervalos _ disse a professora Miriam com o seu costumeiro e afável sorriso. _ Apenas vos queria fazer uma proposta, penso que já falei contigo Elyon? Sim, recordo-me que já. O que queria saber é se ambos estão realmente interessados num clube sobre os feiticeiros de outros tempos, se seriam capazes de recrutar membros e, claro, é necessário baptizar o dito cujo.
- Mas o clube vai fazer propriamente o quê, professora? A senhora não explicou bem da última vez... _ perguntou Elyon com as orelhas ?arrebitas?.
- Pensei que podíamos começar por fazer uma espécie de jornal, com as magias antigas como tema principal, claro, mas aceitando-se outros tipos de artigos. Faríamos também debates, claro, isso é sempre muito divertido, instrutivo e melhora em muito a vossa capacidade de argumentação... e quaisquer ideias que os alunos tenham, desde que aceites pelo resto do grupo.
- Mas professora, porquê é que não comunicou isso ao resto dos alunos? - Questionou o rapaz baralhado. - Porque é que temos de ser nós a fazê-lo?
Daniel sempre admirara a professora Miriam, pois o seu espírito jovem, boa disposição, e a sua maneira de encarar a vida sem preocupações era algo que gostaria de ser também capaz de fazer.
- Porque vocês os dois são os que revelam mais interesse mais pela disciplina. E porque os jovens sentem-se sempre mais incentivados a integrar num grupo quando são os colegas e amigos da mesma idade a terem a ideia, não é assim, pimentinhas?
- Sempre pensei que a Granger fosse a mais interessada... ? comentou Elyon.
- E é, pimentinha, mas Miss Granger interessa-se por quase tudo, não é? Queria alguém que se interessasse por gostar realmente deste assunto específico.
- Eu não sei se tenho tempo professora. Tenho andado ocupado com um... Trabalho de Herbologia. A Elyon terá todo o prazer de fazer isso por mim - acrescentou rapidamente, lançando um sorriso à sua namorada.
- Claro, professora. Acho a ideia fascinante ? respondeu Elyon, sorrindo à professora ao mesmo tempo que estreitava os olhos. Daniel ia ter muito que explicar.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter

Escrito por Inês M. :: 1:32 PM