Parte IV ? Pela calada
Elyon sentiu-se a cair no vazio. Não podia dizer que era uma sensação desagradável, mas também não se assemelhava ao agradável. Subitamente, parou. Encontrava-se suspensa no ar, no meio de uma gruta ? quantas esculturas de estalactites, estalagmites, colunas e cortinas! Angel deslumbrar-se-ia, até conseguia ver uma parte do tecto com a frágil ?chuva de esparguete?! ? e suspensa sobre um lago subterrâneo. Estranhamente, encarava aquilo com naturalidade ? ou não estaria consciente o suficiente para encarar fosse o que fosse?
Do ponto onde estava, via duas figuras, ambas vagamente familiares. Uma delas, a mais alta e mais esbelta com um longo cabelo loiro, entoava algo, numa linguagem maldita que há muito deveria ter sido esquecida. A outra, mais pequena e que lhe causava uma estranha sensação, parecia inconsciente, deitada numa mesa de pedra em frente à figura loira. A humidade da gruta fazia-se sentir com o ?pingue pingue? das gotas de água. Na parede perto daquela espécie de ritual estranhos símbolos completava a atmosfera desagradável.
- Estou a sonhar...
***
- Au! Mas qu...?
Thomas observava-a de uma maneira que a rapariga considerou extremamente inquietante, enrolando e desenrolando repetidamente a longa cauda negra.
- Podes parar de olhar para mim assim? Estou a tentar dormir, não sei porque que me mordes-te, eu... Oh bolas! É o mesmo corredor, não é?
O gato não lhe respondeu, limitando-se a lamber a pata escura.
- Tenho de ter uma palavrinha com Madam Pomfrey acerca deste sonambulismo. Eu não acredito que ando por aí de camisa de noite! Tive um sonho mesmo estranho, sabes? Era-me vagamente familiar, é realmente uma pena que nos esqueçamos da maioria dos nossos sonhos, o nosso inconsciente é tão fértil... que é isto? ? interrompeu-se, tirando do bolsinho da camisa um pedaço de pergaminho muito pequeno e amachucado.
?Isto ? percebeu Elyon ? é nem mais nem menos que um feitiço... um feitiço romano!?
Não tinha absoluta certeza de ser romano, mas os caracteres eram parecidos com os que dera em Runas Antigas... O que não sabia, era como aquilo tinha ido ali parar!
***
Um piar de coruja ouviu-se ao longe, fazendo o loiro dar um pulo de sobressalto. Não podia, de forma alguma, ser apanhado ali durante a noite. Mas era necessário que o fizesse, pois queria evitar ao máximo que mais alguém se metesse nos seus assuntos. Já bastavam a Bella e a Elyon que, neste momento, deveriam estar extremamente chateadas consigo. Abanou um pouco a cabeça para expulsar aquelas pequenas distracções. Tinha um trabalho a fazer e não podia perder tempo com pensamentos.
Já havia percorrido todos os livros de registo de Hogwarts e este era já o último. Já estava na penúltima página e ainda não tinha encontrado o que queria. Percorreu-a de uma ponta à outra e nada. Agora só restava a última folha. A qualquer momento saberia onde estaria a sua irmã, bastava só virar a página e...
- Quem está aí? - perguntou uma voz arrastada.
Daniel largou de imediato o livro e apressou-se a esconder-se de Filch. Se ele o apanhasse estaria em muitos maus lençóis.
By: Elyon Somniare e Daniel Potter
Escrito por Inês M. :: 12:37 PM