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Tuesday, April 25, 2006

Mistérios Antigos
Capítulo V - O Final da Noite

- Não interessa - murmurou Elyon. - Já chega de falar sozinha.
Thomas bufou, indignado.
- Desculpa - corrigiu rapidamente a morena. - Já chega de falar com o Excelentíssimo Felino. Vamos voltar para a cama, ou amanhã adormeço durante as aulas... E tenho de ver se consigo saber o que é este pergaminho.
***
Seria suposto que, às cinco e meia da manhã, a Sala Comum estivesse vazia. O facto é que não estava. E Elyon ainda teve um sobressalto ao entrar pela abertura da Sala e se deparar com varias pequenas sombras a correrem apressadamento de um lado para o outro.
Elfos!, pensou aliviada. Por uns instantes, julgara ter sido apanhada fora da cama por um bufo qualquer. Mas, claro, eram "apenas" os Elfos Domésticos nas suas limpezas nocturnas às Salas Comuns. O máximo que as prestáveis (e adoráveis, na opinião dela. Angelus considerava que eram idiotas por não tomarem consciencia da escravização de que eram alvo) criaturas fariam era olhá-la com os seus enormes olhos reflectores e perguntarem-lhe se precisava ou desejava alguma coisa, o que de facto fizeram.
Recusando e agradecendo os constantes "Precisar de alguma coisa, menina?", Elyon galgou dois a dois, como era sua mania, os degraus que a levariam até ao dormitório. Abriu com jeitinho e entrou sem fazer barulho, seguida por Thomas que imediatamente se dirigiu ao seu cesto de verga. Quatro respirações ritmadas e pesadas indicavam-lhe que as colegas de quarto estavam em sono profundo. Um leve ressonar saía da cama ao fundo do quarto.
Eu sabia que a Padma Patil ressonava! A Iruvienne vai ter de me dar os dois galeões da aposta.
Thomas miou, como que a dizer-lhe que já iam sendo horas de se deitar ao invés de ficar para ali a observar o dormitório. Claro que o que para ele era observar, para ela era habituar os olhos ao escuro. Não estava absolutamente nada interessada em ganhar uma nódoa negra durante a tentativa de chegar à cama de dossel!
***
Daniel sentia que o coração lhe ia saltar do peito. Porque raio não poderia controlar os batimentos cardiacos? Tinha a certeza que o podiam ouvir até às Estufas! Apertou mais o Livro dos Registos contra si e encostou-se mais ao canto quando a silhueta de Filch entrou na Biblioteca e passou por ele sem o ver. Isso não era normal no encarregado, mas que importava? Fazendo o minimo de barulho que conseguia, abandonou a Biblioteca e atravessou vários pares de corredores, parando para respirar alívio atrás de uma armadura, perto da sua Sala Comum. Só então é que se apercebeu de que trouxera o Livro dos Registos consigo. Já tinha o nome e a casa da irmã. Não precisava dele. Mas não se atrevia a voltar à Biblioteca.
Entrego-o amanhã no meio dos livros que requisitei a semana passada, pensou, percorrendo o pouco que lhe restava para a Sala Comum.

Escrito por Inês M. :: 7:42 AM